De olho na inflação: Como varejistas se preparam para a escalada do IPCA?

Nos últimos 12 meses até fevereiro, o IPCA registra uma elevação de 10,54%, ante 10,38% em janeiro e expectativa de 10,5% pelo mercado. Quando a inflação sobe, empresas de varejo tendem a figurar a lista das mais prejudicadas. Isso porque uma pressão inflacionária maior acaba reduzindo o poder de compra do consumidor, o que acaba tendo impacto direto nas vendas do setor.

Na última semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que marcou uma aceleração inesperada em fevereiro.

No mês passado, a inflação ao consumidor brasileiro acelerou o crescimento para 1,01%, ante alta de 0,54% em janeiro. Esse é o maior nível para fevereiro em sete anos.

A expectativa era de uma alta de 0,95%, de acordo com uma pesquisa da Reuters.

Nos últimos 12 meses até fevereiro, o IPCA registra uma elevação de 10,54%, ante 10,38% em janeiro e expectativa de 10,5% pelo mercado.

Nesta segunda-feira (14), o mercado elevou para mais de 6% as perspectivas de inflação deste ano, que está em trajetória crescente em meio ao aumento dos preços dos combustíveis.

Os especialistas aumentaram suas expectativas de inflação para 2023, de 3,51% na semana passada a 3,7%, de acordo com a nova pesquisa Focus do Banco Central (BC).

Preparação
Em meio à elevação das projeções para o IPCA, alguns nomes do varejo estão de olho nos ajustes de preços e se preparando para um cenário de maior aperto inflacionário, conta o UBS BB.

O banco, que conversou com a alta administração das empresas Assaí (ASAI3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), Petz (PETZ3), Vivara (VIVA3), Hypera (HYPE3), Raia Drogasil (RADL3) e Panvel (PNVL3), afirma que os players mencionados contam com um plano de expansão ambicioso para este ano e parecem atualmente munidos de tendências de geração de receita positivas.

No momento, as companhias não enfrentam problemas na cadeia de suprimentos, mas estão atentas a qualquer sinal de disrupção, afirma o UBS BB.

No caso do varejo alimentício, as empresas do segmento, especialmente o Assaí, viveram uma série de melhorias sequenciais no início de 2022. No cenário atual, o UBS BB vê os formatos cash & carry como os mais bem posicionados para se beneficiar do canal de trade down (popularização de um produto ou serviço a um preço mais baixo).

Os analistas esperam que o Assaí entregue crescimento de um dígito médio em SSS (Vendas Mesmas Lojas) no primeiro trimestre de 2022, com aceleração prevista ao longo de fevereiro. De acordo especialistas do UBS BB, o indicador está operando abaixo da inflação em geral.

As melhorias do Pão de Açúcar são amparadas pelo sucesso do formato “Minuto Pão de Açúcar“. A administração da companhia espera uma recuperação das margens ao longo de 2022.

Resiliência das farmácias
Em relação ao setor farmacêutico, as empresas têm registrado aumento nas vendas, impulsionadas pela demanda por medicamentos contra a gripe.

Segundo o UBS BB, a Hypera vive um momentum sólido no curto prazo, com o sell out crescendo perto de 30% no início do ano.

No longo prazo, as perspectivas são igualmente positivas.

“O lançamento de novos produtos, o aumento de escala no mercado institucional, a queda de patentes e a integração da Sanofi devem sustentar o crescimento de longo prazo”, afirma o banco.

Em relação às redes de farmácias, a Raia Drogasil continua acelerando o ritmo de abertura de novas lojas, embora a inflação coloque pressão sobre as margens no curto prazo. Já a Panvel vive tendências de vendas sólidas, que devem ser refletidas nos próximos resultados.

Prioridades
A inflação é o principal desafio para a Petz, considerando o impacto da alta nos preços da commodities sobre as vendas de alimentos.

Por outro lado, 80% do mix de produtos da companhia são considerados essenciais, o que adiciona resiliência ao modelo de negócio, destaca o UBS BB.

“Adicionalmente, a companhia tem sido capaz de repassar os custos crescentes e não enfrentou um trade down material”, completa o banco.

A administração da Petz listou as prioridades para 2022, que incluem:

(i) adição de 50 novas lojas e maior diversificação geográfica;
(ii) integração de M&As (fusões e aquisições) recentes ao ecossistema;
(iii) melhorias em customer experience;
(iv) expansão da sua oferta private label; e
(v) crescimento no segmento de healthcare para pets.

Impacto limitado da alta de metais preciosos

Vivara
Vivara tem planos de acelerar a abertura de lojas em 2022, com 50-60 novas unidades previstas (Imagem: Money Times/Diana Cheng)
A Vivara continua se beneficiando de sólidas tendências de vendas, na esteira dos varejistas com marcas aspiracionais e orientados para consumidores com maior renda, afirma o UBS BB.

Embora a alta do ouro adicione risco às margens, o banco lembra que a Vivara possui 12 meses de estoque, o que permite um repasse gradual de preços.

“Uma melhor verticalização também ajudou a mitigar o impacto de um preço maior do metal”, completa o UBS BB.

A Vivara tem planos de acelerar a abertura de lojas em 2022, com 50-60 novas unidades previstas. O foco deve ser a expansão da marca Life.

Disclaimer
O Money Times publica matérias de cunho jornalístico, que visam a democratização da informação. Nossas publicações devem ser compreendidas como boletins anunciadores e divulgadores, e não como uma recomendação de investimento.

Fonte: Money Times

(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)