MS terá R$ 12,7 bi de indústrias; na Capital, projeto vai injetar R$ 750 milhões

A industrialização não para em Mato Grosso do Sul e dribla crise, falta de investimentos e linhas de crédito mais vigorosas para o setor. Somente para 2018, estão previstos cerca de 12,7 bilhões em investimentos de empresas no Estado. O segmento de atuação é o agronegócio, mola propulsora do desenvolvimento econômico. São empreendimentos de celulose, química fina de milho, placas de MDF e proteína de soja. Neste ano, o Estado já teve reabertura de frigorífico em Paranaíba e também instalação de indústria de reciclagem de alumínio e expansão de indústrias em Dourados.

 

Até o primeiro semestre de 2018, deverão entrar em operação mais quatro indústrias em Mato Grosso do Sul. A expectativa é da Federação da Indústria de Mato Grosso do Sul (Fiems), baseada nas empresas em processo de instalação no Estado. Conforme dados da federa- ção, entre este ano e o ano que vem, os investimentos feitos no Estado devem somar R$ 12,715 bilhões. Destes, dois empreendimentos entraram em operação neste ano, a segunda linha de produção da Fibria, fábrica de celulose em Três Lagoas, com um investimento de R$ 7,7 bilhões.

 

A unidade entrou em operação no mês passado. Quando estiver operando em capacidade total, a produção do complexo da fábrica em Três Lagoas (somando planta um e dois) será de 3,25 milhões de toneladas de celulose ao ano. Da celulose, os investimentos migram para o setor de renata prandini rosana siqueira MS terá R$ 12,7 bi de indústrias processamento de grãos. São dois empreendimentos em fase de instalação.

 

O primeiro é da BBCA Group, empresa chinesa que está investindo R$ 3 bilhões, segundo maior valor no Estado, em uma indústria de processamento de grãos no município de Maracaju. Em operação, o empreendimento deverá gerar 400 empregos e terá uma capacidade para 1,25 milhão de toneladas ao ano de milho e 1 milhão de toneladas de soja ao ano. Na Capital, também é aguardada para os próximos meses a inauguração da nova linha de produção da Archer Daniels Midland Company (ADM). A companhia, que já opera com processamento de soja e produção de óleo do grão, pretende atuar na industrialização de proteína textualizada da soja. O projeto prevê um investimento de R$ 750 milhões. Já a Coamo, do ramo do óleo de soja, pretende investir R$ 650 milhões em três municípios de Mato Grosso do Sul – Dourados, Sidrolândia e Itaporã.

 

Retornando ao setor de madeira, também está previsto para o início de 2018 o início das operações da Green Plac (antiga Asperbras), do setor de placas de madeira (MDF). A empresa investiu R$ 375 milhões em Água Clara. DOURADOS Outro município que também se destaca neste ano na agroindústria é Dourados. De janeiro a agosto, a cidade polo da região sul do Estado saltou de um saldo negativo de 849 vagas para uma geração positiva de 484 novas vagas no período.

 

Esse desempenho ao longo do ano de 2017, observado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) tem o impacto direto das contratações feitas pela Seara em Dourados, que projeta ampliar suas contratações em 21% até setembro de 2018. Há um ano e meio, a Seara anunciou a ampliação de suas instalações e das atividades industriais em Dourados, em uma ação incentivada pelo governo do Estado e acompanhada pela Semagro. Nesse período, a indústria aportou R$ 325 milhões para a amplia- ção, dos quais R$ 168,1 milhões já foram efetivamente investidos e outros R$ 157,9 milhões ainda serão aplicados em adequações gerais da produção nos próximos meses.

 

Neste ano, a indústria ampliou o quadro de funcioná- rios, de 5.611 em janeiro de 2017 para 6.293 em setembro, com estimativa de chegar a 6.797 em setembro de 2018 – projeção de aumento de 21% na mão de obra. PERFIL De acordo com Ezequiel Resende Martins, coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Federa- ção da Indústria de Mato Grosso do Sul (Fiems), até 2015, o Estado contava com 7,706 mil indústrias ativas. Deste total, a maioria, 6,2 mil ou 81%, é considerada microindústrias (com até nove empregados), que juntas geram 125,2 mil empregos formais. Já as indústrias de pequeno porte, de 10 a 49 empregados, somam 1,1 mil e empregam 22,4 mil pessoas. Enquanto isso, as empresas de médio porte (de 50 a 249 empregados), somam 247 e geram 24,9 mil empregos.

 

Em contrapartida, são 79 grandes indústrias, com mais de 250 empregados. Juntas, essas empresas geram 62,8 mil postos de trabalho, 50% dos empregos formais da indústria. Ainda conforme o levantamento, entre os principais segmentos industriais de Mato Grosso do Sul, o destaque vai para o setor frigorífico e produtos de carne. São 125 empresas em operação no Estado, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, que juntas somam 24,069 mil empregos e uma produção de R$ 15,63 milhões. Em segundo lugar aparece a indústria sucroenergética, com 22 empresas em operação e 20,4 mil empregos. O valor da produção é de R$ 15,63 bilhões. A metalúrgica aparece em terceiro, com 1,039 mil empresas e um total de oito mil empregos. Porém, o valor da produção chega a R$ 4,3 bilhões. A indústria do papel e celulose ficou em quarto lugar. Com 30 empresas em opera- ção e um total de 3,5 mil empregos, o segmento industrial tem receita de R$ 3,08 bilhões. Ele é seguido pela construção civil, que tem 3,144 mil empresas operando e gera 26,9 mil empregos. O valor da produção é de R$ 3,02 bilhões.