População já pagou R$ 703 milhões em impostos em Campo Grande

O total de impostos pagos pelos campo-grandenses, somente neste ano, atingiu R$ 703,916 milhões ontem, um aumento de 10,1% em relação à arrecadação registrada no mesmo período do ano passado, que na mesma data estava estimada em R$ 639,020 milhões. Em 2017, os impostos da Capital só chegaram à marca de R$ 700 milhões no dia 20 de setembro. Os dados são do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), sistema que estima quanto de tributo foi pago aos governos federal, estaduais e municipais. Ainda de acordo com a ACSP, os impostos pagos em Mato Grosso do Sul, até o mesmo período, já totalizaram R$ 15,133 bilhões, alta de 11% em relação ao ano anterior (R$ 13,623 bilhões).

O contador e conselheiro da Associação Comercial de Campo Grande, Gilberto Felix, explica quais os principais motivos que acarretaram o aumento dos impostos pagos pelos contribuintes em 2018. “São três fatores que contribuíram: aumento das contribuições dos impostos PIS e Cofins sobre combustíveis, além do próprio aumento de preços dos combustíveis, e ainda os programas de regularização tributários”, explica o especialista. “Por conta desses programas, muitos inadimplentes com contras atrasadas quitaram seus débitos, o que significa um incremento na arrecadação”.

CONTRAPARTIDA

Apesar do aumento dos impostos pagos, a sociedade ainda não recebe as contrapartidas que têm por direito. Para Felix, é necessário conscientizar a população sobre o tema. “A gente tem uma situação bem controversa, porque não temos serviços públicos de qualidade compatíveis com a arrecadação”, avalia. “No geral, as pessoas são pouco ou mal informadas em relação à carga tributária. Acreditam que o assunto não gera impacto direto em suas vidas. Falta conscientização, para não acreditarem em promessas que são impossíveis de serem cumpridas, especialmente em tempos de eleições”, pontua o contador.

O especialista explica, por exemplo, que mesmo um cidadão sem carro será afetado pelo aumento dos impostos sobre os combustíveis. “É um ciclo. Mesmo que a pessoa não tenha um veículo, o aumento do preço do combustível vai afetar o transporte de mercadorias aos mercados, e o preço será repassado aos produtos nas prateleiras, então vai afetar o bolso dessa pessoa, mesmo que ela não saiba disso”, exemplifica.

Por isso, reforça a importância de estar sempre atento quanto ao que está sendo pago em tributos. “Quem vai suportar a carga tributária são os contribuintes. E é preciso estar bem informado para fazer as cobranças certas [ao Poder Público], caso contrário, teremos situações como um governo aumentando a arrecadação, quando o problema não é falta de dinheiro e, sim, má gestão do que já é arrecadado”, finaliza.

 

Fonte: Correio do Estado/ Foto: Valdenir Rezende